Case de Sucesso Annitas

Magna Rosane Cruz é uma psicóloga e empreendedora mineira. Natural de Belo Horizonte e filha de um sapateiro e uma dona de casa, foi a primeira a concluir o ensino superior em sua família.

Teve o privilégio de passar sua infância brincando nas ruas, subindo em árvores e correndo livremente. Apesar de pertencer a uma família com muitas limitações financeiras, teve algo de valor inestimável: presença dos pais, primos, tios e avós.

Magna CruzApesar de pertencer a uma família de nível educacional baixo, os estudos eram valores presentes em seu dia a dia. Por volta dos 7 anos de idade tinha um sonho de ser ora motorista de caminhão de sorvetes, ora professora e ora psicóloga. Tudo isso parecia uma grande ilusão para os adultos a sua volta. Afinal, mulheres não eram motoristas e psicologia e magistério demandavam formações que ninguém em sua família extensa jamais ousou.

Aos 15 anos estava cursando a oitava série e trabalhando meio período em uma rede de lojas de departamentos quando recebeu a notícia de que talvez não conseguisse vaga na rede pública para o ensino médio. Como se destacava por suas habilidades com cálculos, seu professor de matemática orientou a família sobre a possibilidade de uma prova para o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-MG). Acreditando que esta era a única chance de continuar os estudos, Magna fez o vestibular e aprovada, iniciou seus estudos numa das melhores escolas do país. Aos 16 anos e aluna de uma escola de horário integral teve que fazer uma importante escolha: Pedir transferência para uma escola de ensino noturno e voltar a trabalhar.

Trabalhou como vendedora e recepcionista em clínicas, imobiliárias e escolas até os 19 anos quando decidiu fazer vestibular para psicologia. Aprovada em terceiro lugar na PUC-Minas, mas sem dinheiro nem para a matrícula, organizou uma ação para levantar fundos para pagar algumas mensalidades. No final do primeiro semestre não tinha dinheiro para quitar o restante das mensalidades e teria interrompido os estudos se não tivesse conseguido o crédito educativo. Passou todo o período de graduação estagiando e trabalhando para pagar o descolamento e demais despesas da faculdade.

Seu último emprego antes da graduação era como gerente de Recursos Humanos em uma indústria de colchões. Ao se demitir desta empresa aos 27 anos, mudou-se para Montes Claros no norte de Minas com seu namorado. A relação não durou muito e logo se separaram. Então, sozinha na cidade e sem coragem de voltar para a casa dos pais, começou a dar aulas na graduação em Psicologia da Faculdade Pitágoras e a clinicar. Em 2007 mudou-se para Goiânia para fazer um estágio no Hospital Universitário (HU) e se preparar para o mestrado na UFG. No meio daquele ano, diante da notícia que o mestrado não iniciaria em 2008, decidiu fazer a seleção da UnB. Aprovada nessa seleção mudou-se pra Brasília onde morou por dois anos.

No final do segundo ano do mestrado descobriu um tumor no pescoço que naquela época foi diagnosticado com benigno e recebeu uma proposta para lecionar em uma faculdade no interior da Bahia. Mudou-se para lá no início do ano seguinte (2010) e trabalhava 40 horas semanais sob grande pressão. Neste momento começou a perceber uma dificuldade em falar e procurou ajuda médica. Ao saber do tumor o médico solicitou novos exames que foram feitos em BH durante uma semana de recesso no trabalho.
O tumor que tinha sido diagnosticado como benigno era na verdade maligno e havia se espalhado pela região direita do pescoço, contando então com 11 nódulos malignos.

Magna voltou então para Belo Horizonte, para a casa da mãe, para fazer o tratamento. Durante o segundo semestre de 2010 fez a cirurgia e todos os procedimentos terapêuticos necessários, incluindo o tratamento com iodo radioativo. Ainda em acompanhamento médico optou por voltar para a Bahia para trabalhar. Em meados de 2011 retorna para Belo Horizonte e começa o processo de seleção para o doutorado em Psicologia pela UFMG. Ainda em tratamento inicia o processo de doutorado que foi finalizado no dia 9 de agosto de 2016 com a defesa de sua tese sobre Fibromialgia, Terapia Cognitivo-comportamental e Personalidade.

Durante todo o período de doutorado trabalhava como professora de graduação, pós-graduação, psicóloga clínica e diretora do Instituto Mineiro de Psicologia Aplicada – IMPA. Hoje está curada e faz acompanhamento médico bimestral.
Magna sempre foi apaixonada por esportes e cachorros (tem dois: Zoé de 6 anos e Zé de 1 aninho), adora andar de bicicleta e já praticou natação e TaeKwonDo. Atualmente é uma praticante apaixonada pela corrida e pelo Jiu-Jitsu. Acredita que o esporte a fez uma pessoa melhor e mais empoderada não apenas pelos benefícios físicos que proporciona, mas por fortalecer também a mente.

Por Magna Rosane Cruz