Estou depressivo o que fazer?

Em um belo dia ensolarado de verão um jovem senhor decide fazer uma caminhada pela orla da praia quando no meio de sua prazerosa caminhada encontra um velho amigo do tempo da faculdade sentado em um banco fixado no calçadão da praia. De imediato o caminhante pergunta ao velho conhecido: “Bom dia, como você tem passado?” Mantendo-se cabisbaixo o velho conhecido responde: “Não estou nada bem, sinto uma enorme angústia e não tenho vontade de fazer coisa alguma, choro diariamente, mal consigo comer, me irrito facilmente e meu único interesse é dormir. O caminhante assustado e preocupado com a situação do colega exclama: “Isso é depressão!”

O aumento de pessoas que verbalizam sentir-se deprimida vem crescendo nas últimas décadas. Para a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão é percebida como a quinta maior questão de saúde pública e poderá, até 2020, estar em segundo lugar. Isso é muito sério! Boa parte das pessoas acometidas por depressão não fazem tratamento e, quando fazem, a procura acaba sendo pelo tratamento medicamentoso como se “estar deprimido” fosse exclusivamente uma doença física como estar com uma infecção.

É importante destacar, que o que se passa com a pessoa num estado depressivo não é causado pela depressão em si, como quando uma pessoa está sofrendo com uma determinada infecção, mas pelas interações que a pessoa estabelece com o meio em que vive e pelos reforçadores a que ela está submetida. Vejamos! Quando uma pessoa está com uma infecção na garganta, por exemplo, todos os desconfortos físicos como dores no corpo, inchaço, febre, entre outros sintomas são derivados da infecção ocasionada por determinada bactéria.

Nesse caso, a pessoa toma o medicamento prescrito e dias depois os sintomas desaparecem. No caso da depressão, como a causa não é apenas física, buscar (apenas!) o tratamento medicamentoso aumenta a probabilidade de manutenção e, muitas vezes aumento do quadro depressivo. É preciso mais do que tomar um medicamento para aliviar alguns desconfortos. É preciso verificar a freqüência com que a pessoa dorme, chora, se irrita, se entristece, etc. É preciso identificar em que situações essas respostas de chorar, se entristecer, se irritar, etc são apresentadas.

É preciso identificar o que resulta dessas respostas. Nesse sentido, o tratamento para depressão também deve incluir, por meio de psicoterapia, um exame sobre a história de vida da pessoa, para que seja possível identificar as condições que tendem a reforçar e a manter a pessoa em depressão. Só assim, é possível propor uma intervenção interdisciplinar eficaz e que aumente a probabilidade de mudança comportamental.

Semeadora Essencial Master – Sandra Gaya